sábado, 28 de maio de 2016

o terceiro de quatro

sou criado no seio de uma família unida, grande e que tenta sempre ser harmoniosa. somos quietos, baixos, miúdos por natureza, engolimos sapos, nos negligenciamos pelo bem de do outro, agindo, mesmo que veladamente, em prol da primeira instituição feita pelo homem.

Eis que nos encontramos com peça chave nesse texto. O homem. A família. E o homem no ambiente familiar.

Tive em minha vida a experiência dos pais casados, que moram na mesma casa, que pouco se beijam ou se abraçam, mas que sempre procuram cuidar de seus rebentos da melhor maneira possível, claro, cada um de um jeito. A mãe, sempre peça mestre no amor e sentimentalismo e o pai, sempre peça fundamental no desenvolvimento crítico, analítico e racional, mesmo não sendo o maior exemplo de maestria nestes campos. Gosto de pensar que são dois lados diferentes de uma moeda, visto que o casamento ainda os une, mas são completamente diferentes em suas ações. É claro como a água mais cristalina da face da terra que temos dois lados diferentes, duas peças que se repelem unidas pelo Estado e pela religião, como milhões de pessoas nesse país e bilhões no mundo.

Há alguns anos eu cresci só em minha própria casa. Este era meu templo, este era meu recanto, refúgio e morada. Esta ainda é uma parte fundamental de mim. Estas paredes, as camas, os quartos, as mesas, contanto que agora, já não choro tanto, não sonho e nem fodo tanto. Nada acontece mais, desde, claro, aconteceu minha morte, que completará três anos nos próximos meses. Me formei em minha casa. Estudei, trabalhei, amei em minha casa. Repito, ela é uma parte fundamental de mim.

Eu ainda tento, com todas as minhas forças, sair daqui, trabalhar muito, tentar dar uma guinada em minha vida e agir independentemente, mudar completamente, largar essa casca grossa que me criei, que aconteceram as coisas. Nos últimos meses parei de questionar as coisas em voz alta e simplesmente as aceitei e tentei entender as razões delas serem do jeito que são. Por isso o gancho sobre o seio familiar, sobre minha criação aqui, nessa casa, lugar que sempre escrevo aqui.

Faz parte da minha criação e de minha formação ficar parado no mesmo lugar, quieto, com olhos baixos e pensar, questionar, argumentar, agir com tudo em minha cabeça, comigo mesmo. Observar o mundo, ver como é e tentar entendê-lo como é.

Olha. Leitor. Sinceramente, peço desculpas por todo este rodeio. Eu não me aguentei de medo do futuro. Não me aguentei de terror, tremor nas pernas e me acabo de chorar depois de meses intacto nesse sentido. Não consigo mais organizar minhas ideias e pensar direito, eu tô tentando, eu juro que tô. É. Leitor. Achei algumas fotos tiradas por meu pai em seu celular, a filha de um antigo -suposto- caso dele. Não. Não é só isso. Nunca é. Tem um garoto junto a garota na foto. O caso é branco. O garoto é da minha cor. E ele se parece pra caralho com meu pai.

Não sou mais o último filho de meu pai.

Não sou mais portador da sinceridade e harmonia desta casa. Agora sou um guardião de um segredo que pode destruir essa casa. Eu não sei o que com isso. Não sei se espalho pra alguém. Meu Deus. O que eu fui fazer. Deus, por favor, me perdoe. Meus erros já eram suficientemente imperdoáveis para arcar com minha própria paz interior, agora essa.

Não quero explicações. Quero sumir. Gritar. Porra. Qualquer coisa.

UPDATE: Achei um vídeo. Em que meu pai agradece a todas as coisas e fala justamente do assunto do início deste post, coincidentemente, harmonia, amor, respeito a tudo e a todos ao nosso redor. Ele, num monólogo de três minutos, agradecendo, estando feliz e pedindo para quem assistisse, para respeitar a todos, olhar ao redor, pensarmos melhor no que estamos fazendo e o que podemos fazer para melhorar o mundo. Esse vídeo foi feito logo após ele me deixar na casa de praia de um colega da faculdade, onde eu bebi e tive inúmeras estórias para contar por semanas. Eu ainda choro desde que vi esse vídeo, há meia hora. Acontece que, o vídeo foi feito às 8 horas da manhã. As fotos dessas duas crianças foram tiradas às 15 horas da tarde. Num parque, num SESC na verdade, com todos sorrindo, em um parquinho, mas nenhum adulto ali. Eles estavam atrás da camera. Que porra. Que porra. Que porra...

quarta-feira, 13 de abril de 2016

a rapidez em que o bagulho some

Eu odeio como as coisas vão embora em questão de segundos, minutos, horas, dias e semanas. Tudo se esvai nas palavras ditas, nas atitudes feitas e nas ausências de bons resultados para com nossas expectativas.
Ficamos e você preferiu por passar duas semanas sem me ver. Ficamos nos estranhando depois de termos começado algo, ficamos estranhando nossa conversa que pouco fluia e você começou a não corresponder com minhas mensagens de carinho e ternura.
Estou quase no fim da segunda semana sem ti, são tempos difíceis, eu te desejo e aguardo por você respeitosa e ansiosamente na esperança de um novo convite rumo ao amor, ao desejo e seus beijos.
Nesse meio tempo, coisas esquisitas foram acontecendo, desde sonhos até pesadelos, um pouco de tudo. Hoje por exemplo, odeio ter de contar essas coisas, mas sonhei com a gaveta de um amigo, a vesguinha.
Estava eu em casa, eis que chegam mensagens da moça que vê o horizonte de um jeito não convencional me avisando que estava chegando. Um pouco depois, já no quarto aqui de casa, ouço o home theater nas alturas no andar de baixo e estamos eu, um tio meu, sua namorada e a vesga. É... Estamos fazendo joguinhos, meu tio e sua namorada vão nos dando tarefas, eu e a vesguinha vamos soltando faísca, ela muito afim, eu não dizendo nada, sabia de quem ela era a pretendida. Eis que uma das tarefas é encontrar um padrão de desenhos e completá-los corretamente, precisaríamos de um lugar plano e de canetas. Nesse momento, o som de pessoas falando fica muito alto, a namorada do meu tio acaba ficando com muita raiva, inclusive de nós, eu sorrio e fico falando encostado no ouvido da vesguinha, dando ideia, falando coisas que faria com ela assim que isso tudo acabasse, ela ria e eu babava seu cabelo, uma maravilha. Bom, sem lugar plano e com canetas só em outro cômodo, fomos para a cama do quarto da minha mãe, lá ela sentou, olhou os desenhos "mas isso daqui não é nem um pouco parecido com o que eu quero fazer", disse com sorriso de lado. Eu peguei em sua nuca, de pé, e ela jogou a cabeça pra cima fazendo biquinho com a boca. Eu não queria aquilo. Encostei no canto da boca dela e abri a minha, meti a língua. Beijo bom, do jeito que eu não sinto há anos, achei que iríamos começar aquilo que estava na nossa altura, digo, ela na altura da minha cintura, mas preferi acordar os olhos, não faria aquilo com amigo algum nem em sonho.
Além disso, coisas estranhas aconteceram. A liberdade do ser de uma amicissima minha foi alvejada pela brutalidade humana. Um pássaro que cai.
Ah, claro. E eu esperando alguém, você, mas isso não é novidade. Eu esperando pra que tudo dê certo. Der. Nada de diferente.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

era pra

Algumas coisas aconteceram na ultima semana, claro. Não só no Brasil, não só na política, na geopolítica global ou nas ruas. Mas aqui dentro.

Rolou, há uma semana, aconteceram os beijos, a mão dada, os olhares, algumas confidencias, a conversa fluida e gostosa, de riso frouxo e em nível de igualdade. Maravilha. Estasiado. Ansiedade e vontade de seguir. Vontade de mais.

Eis que, bom, domingo(3) você me dá um balde de água fria dizendo que não daria para nos vermos na semana. Fiquei espantado com tamanha diligência, jogando pra escanteio com frieza tanto o que aconteceu quanto meus pedidos para ficarmos outra vez. Um dia depois, bom, começou o apagão. Parou de falar comigo. Simplesmente. Terça, dei bom dia e perguntei como estavam as coisas, ela disse que estavam corridas, me deu bom dia e foi embora, é... Pelo menos pedi para que me chamasse quando as coisas estivessem melhor.

Quinta feira, ontem, ela apareceu. Falou comigo, ficamos ali por um tempo e, bom, chamei-a para almoçar. Ela ofereceu mais. Ela me ofereceu sua casa, sua cama, seu corpo. Ela me ofereceu a porta de entrada, as janelas, as quatro paredes e os lençóis. Eu queria. Fui sedento.

Era pra ser. Era para estarmos namorando. Era para estarmos nos beijando, juras de prazer e amor. Era para estarmos num passo a mais. Mas você não quis me ver, ou simplesmente não deu. Realmente. Okay.

Horas depois, joguei um verde sobre querer ficar contigo. Você?

Era pra querer algo sério.
Mas não quer.
Me quer, mas não como cara sério. Um alguém seu. Me quer aqui, como um, bom, negócio. Brinquedo para as horas que precisarmos. Sei lá, de verdade, não sei como agir. A monogamia me dá a falta de compreensão nisso. Combinamos, somos feitos um para o outro, mas você, bom, não quer assumir. Não quer tentar. A monogamia me faz querer esperar pelos cinco anos da sua faculdade. A paixão te quer agora.

E eu só quero um beijo seu. Que era para eu ter recebido hoje.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Finalmente, o arvorecer

Dia primeiro do mês de Abril, um trágico dia para muitas pessoas, muita piada ruim, muita calhorda, mas um fatídico dia para este cidadão que vos escreve. Primeiro de Abril. O dia em que eu perdi meu lacre e celibato bucal de mais de dois anos para um lado meu feminino. Explico.

Inicialmente, queria pontuar que estou em meio a madrugada realizando os toques finais para entrega de uma das partes do meu trabalho de conclusão de curso, claro que eu fui quem mais realizei e fiz parte deste trabalho, que sem mim, estaria em frangalhos e miúdos, logo, escreverei de maneira breve, pouco poética, apaixonada e frenética, visto que o tempo me sufoca.

Era um domingo de Páscoa. Dia santo. O domingo de Páscoa geralmente é marcado pelo renascimento, pela criação e surgimento de coisas novas, e assim foi. Cinco da tarde, me pipoca no celular uma mensagem, bom, um convite, para conhecer uma garota que "era a minha cara". Bom, eu há anos não tenho nada, vamos lá, pensei eu. E claro que me engajei nisso. A garota, bom, realmente, era igual a mim. A minha cara metade, em tudo. Tudo que fazíamos, tudo que falávamos, assistíamos e vivenciamos fazia parte de uma malha fina de realidade, sonho e experiencias, com as quais eu nunca compartilhei com ela, mas que ela havia feito de maneira muito parecida e muito próxima às minhas próprias experiencias. Sim. Ela é o meu espelho.

Nunca havia entendido os motivos pelos quais a Rainha veio a se relacionar com um espelho e ele se tornar seu confidente no conto da Branca de Neve, aquilo sempre me intrigou. Claro, muitas das antagonistas destas estórias faziam parte de alguma quebra na normalidade da vida das protagonistas, das princesas. Sempre a madrasta no lugar da mãe, a fera no lugar de nobres e assim vai. Contudo, neste conto, a má é a Rainha, a protagonista, e a Princesa, a própria Branca, bom, ela é serva dessa Rainha. Estranho, não? É o que eu sempre penso. Enfim. A rainha apresenta comportamentos que vão além do comum, do mágico e do onírico em um conto de fadas, ela encarna no espelho um amigo, um confidente, uma espécie de sócio e de cúmplice, tudo ao mesmo tempo. Nunca aparecem os porquês do Espelho servir à Rainha Má, só que ele é mágico e satisfaz seus caprichos, sem meias palavras e sem omissões. Ele é um espelho que não reflete, ele vê.

Com essa pequena introdução, volto à minha história de hoje. Ela, sim, é meu eu feminino. Em menos de uma semana eu descobri isso. E logo na segunda semana, que ontem completou, bom, acho que eu já a perdi.

Em uma semana, ela me mandou fotos, nos elogiamos, nos beijamos e nos acariciamos. A acompanhei até em casa e ficamos lá, nos beijando e conversando por alguns minutos. Foram horas de beijos em um encontro de poucas horas. Sim, o saldo foi extremamente positivo, eu saí feliz como nunca, planejando mil coisas e tendo a vitória como certa, de que a guinada da minha vida seria ali, sai espalhando pra todo mundo o que tinha acontecido e contei a todos que eu estava afim e namorando alguém. Bom. Engano meu.

Ela há um dia não fala comigo. Achei estranho e fui olhar o histórico dos últimos dias. Sexta-feira foi o dia dos beijos, próximo, sábado, dia da festa. Ignorei a pobre por quase um dia inteiro com a desculpa de que estava em um sítio com muito pouco sinal. Claro, aquilo era mentira, mas eu não iria ficar me sujeitando a climões ou coisas assim. Estava felicíssimo com o que estava tendo e não queria perder aquilo. E, bom, enchi a cara naquele dia. Garrafas de cerveja e copos e mais copos de caipirinha me fizeram declarar-me, afugentar-me e indagar coisas PARA ELA que eu jamais diria sóbrio. Já disse que tinha em minha cabeça a vitória como ganha, bom, agora, eu tenho a incerteza, a fraqueza e a derrota como aliadas. A madrugada do sábado para o domingo foi realmente horrorosa. Mensagens sem sentido, nenhuma risada, falei muito do que estava acontecendo ali e o que estava pensando. Pensando? Que queria. Acontecendo? Piriguetes. Alienadas, mortas e sofredoras da própria carne e do próprio desejo vazio de se tornar alguém através da carne e do nome das falsas redes sociais e linhas de relacionamentos. Eu comentei essas duas coisas em poucas mensagens. No domingo, ela já estava estranha. Foi o primeiro dia em que eu dei oi, e a bombardeei. Eu não deixei a pobre pensar, agir, queria conversar e simplesmente, acabou que não rolou, um clima horroroso foi posto ali e ela respondia curto, seco, sem muito brilho no olhar.

Fiz cagada. Fui burro. Perdi o certo. Mais uma vez.

Amanhã ou depois eu mesmo irei chamá-la, pedir desculpas e tentar esclarecer a minha situação quando me embriago e estou em festas com desconhecidos por todos os lados. Eu odeio beber, eu amo beber. Eu odeio me magoar e estar magoado, eu sempre magoo e termino magoado. Dessa vez, eu quero consertar para melhorar. Uma semana e eu estraguei tudo. Quero voltar já. Ela é tão legal, tão linda e inteligente, espero que essa seja a coisa certa. Rezei muito no dia primeiro. Pedi para que fosse ela, foi. Agora quem tem de fazer isso se tornar algo grande, bom, sou eu. Do céu ela já caiu no domingo de Páscoa.





Ou será que eu desisto e deixo ela vir?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Maturidade e a lei do casamento dinástico

A diferença entre mim e Sua Alteza é a de que ela ostenta a coroa e tem um dever cívico e moral a zelar sua imagem e seu futuro. O que isso significa? Que devo satisfações e poucos contatos íntimos, palavras trocadas descontraidamente e total atenção, auxílio e apoio para qualquer decisão que ela tome e necessite, sem maiores reclamações e apontamentos.

O que significa? Que desde a retomada, ela mal fala comigo a não ser algo superficial e praticamente sem sentimento. Ainda não peguei ela pra conversar, com sentimento, com dúvidas quanto a nós ou com afeições. E nem é de meu direito, de meus deveres e competências falar disso com ela.

Somos distante pela vida, destino e distância que nos impuseram. Não nos encontramos, nos vemos ou nos beijamos. Estamos longe.

Eu de suporte, enquanto me dás migalhas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Atualização 20/01/16 ou Como Destruir Sua Imagem Completamente Para Um Inocente

Uma semana desde que voltei de Minas, seis dias na verdade.
A semana passada toda foi um porre, eu fiquei entediado, e, bom, apesar do papo sempre ser bom, ela não é uma pessoa que distrai e alegra muito, sabe. O comando das conversas, depois da retomada, é sempre meu. Se não o fizer, não há conversa, não há interesse, não há partilhamento ou planos futuros mais. Não há nada da parte dela. Ela não quer me ver, ela não me quer, e tudo isso por uma falha, ou algumas.

Acontece que, desde meus últimos dois textos, o primeiro desacreditado por aquilo estar acontecendo comigo e eu ficar me gabando da situação e o segundo já preocupado por ela ter virado o jogo e ter me deixado pra baixo, como quem manda na situação e eu, de cabeça preocupado, mas respondendo positivamente e acatando cada palavra dela, as coisas mudaram e muito, sinceramente.

O frio chegou em Minas, e como você, avido leitor deste blog e de meus relatos e memórias bem sabe, o frio significa majoritariamente o tédio, o mal, o depressivo, o triste, o negativo, o cinza, as trevas, o maligno, o corrupto e o indigno. O frio, é a desesperança que toma conta de mim e leva todo meu espirito e estado de meu ser. É o não-eu que toma conta.

Partindo desse princípio, logo esclareço que, não, não houve briga, eu simplesmente me apaguei e de um cara "KKKK XAN VC É DEMAIS" pra um cara é "xan, só toma bronca em.", com ponto final e tudo. É, é triste, mas fui de um cara extremamente legal, um partido alto, pra um coitado. Um sofredor, um zé ninguém, um zero à esquerda.

A escalada recessiva partiu das festas. Ela foi vendo como eu era, a família, onde eu morava, meu comportamento e minhas ideias sob todos os aspectos e situações, ela ia atrás, e, bom, a gente combina sim. Muito. Até no jeito de se expressar, nos parentes, nas origens de nossas famílias, nos nossos comportamentos quando está tarde no bairro, as músicas que ouvimos... Tudo a gente combina, até em nome de bicho, gosto por animais e respeito aos mais velhos. Tudo. Ela sou eu com 17 aninhos recém-formados, claro, de saias e calcinha. Acontece que, sim, eu consegui estragar tudo nesses poucos dias de tristeza, chuva e céu nublado. E frio. Estraguei sendo um mala. Um reclamão. Já tinha caído na cachoeira e perdido a ponta da unha, choraminguei por três dias incessantemente sobre como nada estava dando certo e como 2016 começou uma bosta. Ela, claro, sempre cativante e radiante me ouvindo e respondendo beeeeem depois. Tudo acabou na quinta. Eu ia pra missa do Padre Marcelo, finalmente, depois de anos, eis que dá tudo errado, eu faço piadinhas e ela leva a mal, ela que levou... Eu tava indo bem, ganhando intimidade em Minas e estraguei absolutamente tudo, enfim. Ficamos de quinta até domingo sem nos conversar, claro que a minha primeira bebedeira.
Aguentamos domingo, segunda. Hoje, terça, ela já não havia mais falado comigo até eu mandar mensagem já colocando alguns padrões pra ela. Eu nunca procurei prejudicá-la, sempre mostrei boa vontade em falar e ajudar ela tanto na carreira quanto nos estudos, hoje ela não procura mais me ver, reparei bem nisso quando falei de alguns lugares que gosto de ir e ela "é, um dia eu passo por lá", não como uma dama esperando um cavalheiro para a dança, mas um "vou com minhas amigas, não, não estou disponível para convite", e meu irmão ainda perguntou se eu a quero levar para a praia no fim de semana...

Bom, a questão é, eu já a perdi.
Quantas vezes a chamei pra sair e levei bolo, desculpas horrorosas... Ela se quer ver livre de mim, e eu nada posso fazer. No máximo, ela quer sair de bonde, pra que eu não faça nada. Ela me quer longe.
Não sei se é pelo sentimento que acabou ou a vontade de algo, ou a aventura, ou ela caiu na real que eu sou um bosta. Deve ser a última opção. Como sempre, mais uma garota deve estar com nojo de mim. Asco, e medo. Por isso não gosta da ideia de ficar perto de mim. É isso. Matei a charada.

De um cara legal e demais, passei para um coitado e agora, um tarado nojento e inoportuno. E nunca falei nada além do limite aceitável. Nunca serei interessante a essas meninas, eu nunca serei um cara bom pra se conversar, eu nem sei como fazer isso...

Foi bom enquanto durou, foi bom perceber que ainda bate um coração em meu peito com o qual posso ficar sofrendinho por alguém, que posso sentir angústia, felicidade e ansiedade pra ter qualquer contato com aquela pessoa, e ainda ter a esperança de que mais pra frente pode acontecer algo, a janela se mantém aberta pra ela, como aconteceu com todas, mas duvido que alguém volte pra me ver. Eu vou morrer sozinho, e já aceitei isso.
Aqui bate a porra do coração, que faz chorar, sentir angústia e temer pelo pior, contar os minutos pra receber aquela resposta e agradecer a DEUS pela rápida mensagem de resposta. O meu coração estava quebrado desde a flor oriental, a qual eu cozinhei, ajudei a tirar de uma foça e que rapidamente veio outro, viu que o prato estava servido e quente, e pulou na minha frente. Dessa vez, ela é mais fechada, mais nova e mais recatada, o problema é o nojo que tens por mim mesmo. O asco. Eu não vou conseguir conquistá-la, espero que ela me procure quinta por causa do vestibular ou data parecida. Se vier, que bom, vou parabenizá-la e oferecer meus mais sinceros votos de felicidade e sucesso, ela merece, visto que ela sou o eu que deu certo, um eu que decidiu não namorar, um eu que decidiu não perturbar-se pelo coração e lacrou-o numa caixa vazia e fria. Ela merece o sucesso, gosto muito do papo, do sorriso, da vergonha, do riso dela, ela, como a Renata, não tem o riso e nem a voz mais bonitos, mas eu gosto assim. Ela gostava de mim.. Eu quem estraguei tudo, nunca vou superar isso....

Pelo menos ela me fez voltar a ir pra igreja e rezar todo dia assim que acordo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A Princesa, a idade, e o Bobo

A princesa de que tanto falo em tão poucos dias me pouco cativa, pra ser sincero. A cada vez que a contacto, ela me responde longas dezenas de minutos depois, claro, ela pode estar no trabalho, claro, ela pode ter ido tomar banho, mas ela ainda sim, também vai pra cama e fica vendo coisas que a vida pouco agrada e pouco afeta. Mesmo assim, não sou majoritário em momento algum de seu dia, nada que eu faça, nem indiretinha direta, nem uma boa isca para que ela fisgue, nada ela parece responder. Nos primeiros dias ela respondia até, cada indireta era uma palpitada mais forte em meu coração, e era ela quem fazia, não eu, foi só depois que eu acabei por tomar como uma das principais maneiras e modos em minhas investidas e, bom, claro que são todas para deixar bem claros os meus interesses para com Sua Alteza, que é o beijo do despertar.

Acontece que, como todas as outras princesas com quem ela anda, a Angelical também segue certas regras que o grupo todo partilha. São elas regras como não querer/tentar encontrar-se com algum pretendente mais que uma vez por mês, não persuadir diretamente o pretendente entre outras coisas mais. E é aí que entro, na parte do Bobo, que mesmo sabendo disso, age como se nada acontecesse e como se tudo ainda assim fosse normal, comum, que estivesse certa o tempo todo. Não é questão de chorar as pitangas ou sobre o leite derramado, é que, o timing seria perfeito para acabar o ano acompanhado e ter dado aquele presente ainda na semana de aniversário dela. E graças a essas regras não faladas, a Princesa acabou por simplesmente destruindo meus planos de fim de ano.

Ah, os motivos e desculpas são das mais variadas proveniências, mas claro que por sua idade inferior a minha e meus conhecimentos anteriores e vasto catálogo de desculpas incabíveis, a Princesa acaba sendo desmentida por minha experiência, como por exemplo, a da semana de seu aniversário, dia 23, onde ela acabou "ficando tempo demais no escritório por ter muitas coisas a fazer", e ao invés disso, ela acabou se atrapalhando em algumas coisas e precisou ficar três horas além do horário determinado em seu contrato. Houve também, como o leitor deve saber, a desculpa de hoje. Segunda, 28, em que, bom, "hoje não vai dar, melhor outro dia" e, bom... Não nos encontramos nem hoje, nem iremos amanhã para... Bom, ela foi dormir. Estava cansada.

É.

O Bobo, eu, bato palma, nada mais posso fazer, o senso e a certeza de que deve-se manter limpos seu nome e sua palavra virá com o tempo, Princesa ainda não tem esse senso, essa noção, ela virá com o tempo em que as responsabilidades apertarão e ela entenderá que o mundo age e corre sob contratos ditos, escritos ou registrados, e a cada promessa, cada convite, tais contratos devem ser cumpridos, e, bom, hoje ela só acredita no que é decidido em cima da hora. Choveu há 5 minutos? Cancele. O ônibus demorou 10? Deixe quieto.

O Bobo precisa do mínimo da corte para sobreviver, sejam palmas, sejam rosas ou tomates, ele precisa de algum retorno do Rei, da Rainha, dos Príncipes ou das Princesas, e eu, como um bom Bobo sempre com adereços na cabeça, espero um benéfico retorno desta última. Que você pare de me enrolar e venha me beijar, e que não demore, eu preciso de uma nova esperança.